Essa semana o Facebook anunciou que a partir de agora, as marcas também poderão ter suas páginas no formato “Timeline”. É claro que com o anúncio, veremos uma avalanche de empresas se aventurando pelas timelines e que só vamos entender a real utilidade delas (como tudo no Facebook) depois de alguns erros e acertos que acontecerem por aí.
Pensando um pouco no assunto, a primeira reflexão que me veio acerca das timelines é que na verdade, elas tem um poder (de construir ou destruir reputação) muito maior do que aparentam. Uma vez que as marcas começam a postar suas ações na timeline (e isso fica escancarado pra todo mundo), a palavra consistência começa a ganhar cada vez mais importância.
Como uma marca fará uma campanha “x” no verão e outra nada a ver no inverno? Como abordar determinado público e quando mudar o target, trazer uma mensagem descolada da anterior? Quem não costuma fazer auditoria de comunicação acaba não percebendo, mas essas coisas acontecem quase todos os dias (sempre na porta do lado), e tenho certeza que as timelines dessas marcas começarão a não fazer muito sentido, se é que você me entende.
Pois bem, eu não sei exatamente pra onde as timelines levarão as marcas, mas adorei a chegada delas porque vai obrigar cada vez mais as marcas a pensarem no seu papel na sociedade e passarem a se tornar consistentes. E ai do gerente de marketing que resolver apagar um post em virtude de uma nova sacadinha da agência que ele não quer deixar passar. O consumidor está de olho!
A agência Lukso, localizada na Vila Madalena em São Paulo, procura por um estagiário de planejamento criativo.
O candidato deve saber fazer boas apresentações e ter uma boa história para contar. Tem que ser ligado no mundo do cinema, no mundo digital, estar sempre antenado no mercado publicitário e ter conhecimento de softwares será bem vindo.
De onde você veio? Para onde você quer ir? O quê aprendeu? O quê quer aprender? São perguntas simples, que todos nós nos fazemos, mas que nos motivam a continuar traçando nossos caminhos. Se você acredita que a Lukso pode fazer parte da sua história, mande seu portfólio e currículo para:
Nada melhor que começar meus post em 2012 com um belo filme que nos acrescenta uma ótima lição.
Escrito e dirigido por Tate Taylor, “Histórias Cruzadas” (The Help) é um filme que nos mostra o verdadeiro poder de boas histórias. A trama se passa no Mississippi nos anos 60 e aborda um assunto muito delicado na época, que era a “segregação racial” e o desrespeito devido ao contraste das classes sociais.
A jovem Skeeter (Emma Stone) depois de voltar da escola resolve se tornar escritora e incomodada com a falta de respeito das madames com suas empregadas, resolve fazer uma entrevista com as empregadas de cada casa para descobrir as histórias que elas guardam de cada família.
O resultado não poderia ser diferente o livro mudou toda a percepção de uma sociedade preconceituosa, e foi capaz de transformá-la em algo melhor. E a mensagem que fica é: as histórias, se forem bem contadas, têm o poder de transformar.
A coisa é bem simples porém não necessariamente fácil. Você terá 15 minutos para contar umas história. Poder ser uma animação, um piloto de programa de TV, um documentário, o que você quiser. Quando estiver tudo preparado, você entra no concurso “Your Film Festival” promovido pelo YouTube. Então, pessoas do mundo todo vão votar e escolher 10 finalistas que diputarão um prêmio de U$500.000 para a produção de uma outra história com a ajuda do produtor e diretor Ridley Scott. Gostou? Então saiba que ainda de quebra, os 10 finalistas vão para o festival Sundance para receber o resultado do concurso.
Então é simples. Solte o Storyteller dentro de você e conter sua história para o mundo. Boa Sorte!
A Axe está lançando sua nova linha de desodorante, a Anarchy. A diferença da linha é que a fragrância do desodorante terá duas versões, uma para homens e outra para mulheres… Isso mesmo, para mulheres, e tinham pessoas que apostariam tudo dizendo que a Axe jamais faria uma linha para mulheres, depois de todo seu posicionamento.
Mas enfim, não é esse o motivo desde post e sim a campanha de divulgação da Anarchy. A marca com as parcerias da agência digital Razorfish, Aspen Comics e do roteirista Scott Lobdell, famoso pelos seu trabalho nos quadrinhos do X-men na década de 90, desenvolveram a primeira história em quadrinhos interativa nas redes sociais.
A brincadeira é dar palpites sobre a continuação da história, através do twitter ou da página no Facebook, se a equipe achar interessante sua versão para o roteiro você é transportado pra história na hora… isso mesmo na hora, a equipe de desenhistas e produtores gráficos fazem seu personagem e postam o resultado final no canal do Youtube.
Uma estratégia baseada nas ferramentas do storytelling que ficou animal, vale a pena conferir e tentar entrar nessa história, que acabou de sair do forno.
Já se perguntou como nascem os grandes ídolos? De certo não é do dia pra noite. Ou melhor, até acontece as vezes, mas a maioria destes cai no esquecimento em pouco tempo. Numa camada um pouco mais profunda, podemos dizer que nossos ídolos são aqueles que tem uma história de vida ou profissional que de alguma maneira nos influenciam.
Bom mais essa pequena introdução foi pra falar de uma iniciativa bem interessante da Nike com o atleta brasileiro Alejo Muniz. Alejo tem 21 anos e já faz parte da elite do surfe mundial. Uma trajetória profissional interessante num país que tem um litoral gigantesco mas poucos surfistas profissionais.
A Nike 6.0 lançou uma linha de roupas que contam um pouco da história do Alejo, desde a sua primeira prancha até as suas primeiras conquistas. Vocês podem ver melhor no vídeo então não vou ser chato de tentar explicar por aqui.
O importante dessa reflexão é como o storytelling pode ajudar a construir uma imagem de ídolo. É vendo a história dele como pessoa e profissional, que muitos jovens vão trazer um monte de associações que possivelmente farão com que eles acreditem mais ainda que podem ser profissionais no esporte que curtem.
Quando iniciei esse post com aquela reflexão, eu queria chegar num ponto que é o esporte. Muitos esportes se popularizam pela existência de grandes ídolos. O trabalho da Nike 6.0 é interessante no sentido de trazer a popularização do surfe como um esporte sério e organizado. E nada como uma boa história para estimular essa mudança e despertar interesse nos jovens que curtem surfar e fazem isso como hobby.
Talvez um pouco mais de história? Talvez uma profundidade maior nos momentos difíceis dando destaque para a superação? Poder ser que sim. Fica a sensação de que tinha muito mais pra ser explorado ali. Mesmo assim, continua sendo uma bela iniciativa.
Em poucos momentos de um ano as pessoas ficam tão sensibilizadas quanto no Natal. É perceptível a diferença na maneira como as pessoas agem e se relacionam com as outras durante esse “período”.
Diante desse cenário um pouco mais emocional que o normal, as marcas também entram no clima e exploram diferentes emoções e sentimentos em suas campanhas.
Entre as campanhas que vi neste final de ano, a da rede de supermercados Zaffari me chamou atenção. É um bom exemplo de como uma história – Storytelling – tem muito mais poder em criar associações com as mensagens que se deseja trabalhar.
São muitas as mensagens de diferentes meios que recebemos diariamente. No entanto poucas conseguem relevância dentro de um “filtro” que nós fazemos involuntariamente. Vejam o comercial e sintam como uma história consegue transmitir uma mesma mensagem de uma maneira muito mais marcante.
Mobilia, um dos maiores shoppings centers da Suécia, construiu um novo estacionamento com 400 vagas disponíveis e precisava divulgar para seus shoppers esse novo benefício.
Esse problema poderia ser resolvido com um simples outdoor na porta do Shopping, mas o pessoal da agência Halva Kungariket resolveu pontecializar a ação usando a criatividade das pessoas de imaginar histórias.
Em uma bela manhã, eles colocaram um carro em cima do outro no estacionamento do Shopping Mobilia, sem nenhum tipo de publicidade ou informativo.
Resultado: as pessoas começaram a comentar sobre o assunto e a imaginar a história por trás do estacionamento dos dois carros. Até jornalista publicaram matérias do mistério dos carros no estacionamento do Mobilia. Após a alta repercursão, o shopping lançou um anúncio com a foto dos carros e com a seguinte mensagem “ It’s easier to park in our new parking house”.
Uma campanha diferente, que na estrutura de narrativa alinear, explorou a imaginação e criatividade das pessoas ao imaginar como foi o começo história por trás dessa “cena” final. Consequentemente, gerando muita mídia espontânea e buzz nas redes sociais.
A maior companhia química do mundo, gigante em suas soluções e tamanho, é também um empreendimento sustentável até em seus processos de produção (ao contrário da imagem que se tem construída de empresas químicas): essa é a BASF. O problema que a empresa enfrentava era justamente lutar contra o preconceito da sociedade de que uma empresa química nunca poderia ser sustentável e, ainda por cima, mostrar para seus colaboradores o quão sustentável a empresa realmente é.
“Tão natural quanto respirar”, foi assim que os gestores descreveram a sustentabilidade na empresa. Ações como a Fundação Espaço Eco, são apenas um pedaço da sustentabilidade da empresa, uma vez que esta trabalha em criar soluções e produtos sustentáveis,tendo seu lucro baseado nessa lógica. Porém, por simplesmente serem sustentáveis e praticarem isso a muito tempo, os colaboradores tinham dificuldade em falar e apontar o que a empresa fazia e entendia por sustentabilidade. E era desafiador tornar algo imperceptível e inerente à cultura da empresa, em uma história tangível e próxima a realidade dos colaboradores.
Após um estudo de arquétipos e uma profunda investigação para entender o personagem “Sustentabilidade” dentro da empresa, e quais seriam suas ações, foi possível detectar que esta narrativa deveria mostrar o grande peso da sustentabilidade na BASF, uma vez que os processos sustentáveis eram realmente grandiosos e completamente interligados com a produtividade da empresa, sem jamais se desvencilhar do futuro do planeta, já que soluções químicas dependem diretamente dos frutos naturais da Terra.
Assim foi montada uma narrativa que comunicou essa história aos colaboradores no “I Fórum de Sustentabilidade Corporativo”, organizado para endereçar a sustentabilidade como motriz dos negócios na BASF. Foi o começo de uma nova etapa dentro da empresa, ou melhor, uma nova narrativa inaugurada com storytelling.
Foi com essa frase que Jeff Gomez (produtor de Avatar, Piratas do Caribe, entre outros) encerrou seu keynote speech na semana retrasada durante o StoryWorld Conference, evento que reuniu mais de 500 pessoas no coração de San Francisco para discutir tendências e aplicações de Transmedia Storytelling.
Por sinal, não é à toa que o evento se chamava StoryWorld. Esse conceito foi um dos mais abordados e discutidos durante os três dias de evento. Criar universos onde as histórias possam transitar parece ser o “Crème de la Crème” da onda Transmídia. Toda a abordagem dos palestrantes foi em cima desse tipo de construção sob o argumento de que com a massificação da internet, não faz mais sentido criar uma única storyline engessada que não possa ser vivenciada ou reconstruída pela audiência. A criação de um Storyworld funcionaria como um arcabouço para novas histórias serem contadas e recontadas, seja pelo proprietário da história (estúdio ou marca), seja pelos consumidores. A medida em que o Storyworld é bem construído, essas histórias se cruzam e passam a fazer parte de um mesmo universo, criando um ambiente orgânico e interativo para a sobrevivência das propriedades intelectuais.
Tudo isso fica muito bacana nos power points que tenho visto por aí. Mas é na hora de aplicar as ideias na prática que o bicho pega. Ao mesmo tempo em que os discursos inspiraram muita gente em San Francisco, foi curioso ver de perto o paradoxo que essa disciplina (mesmo nos EUA) está enfrentando. Se por um lado os conceitos estão muito claros para a maioria das pessoas, por outro eu me decepcionei com a qualidade dos cases apresentados. É muito fácil falar de Transmedia Storytelling e olhar para as grandes franquias norte-americanas como Heroes, LOST ou 24 Horas.
Só que essa não é a realidade de nem 10% das pessoas que estavam lá. Sinto que tirando poucas exceções (The Inside Experience da Pereira&O’Dell para Intel e Semp Toshiba é uma delas), a maioria dos cases apresentados ainda estão no modo “laboratório”. Agências, produtoras e até os grandes estúdios estão tateando as atividades Transmedia. De tudo o que vi por lá, uma coisa é certa: o aprendizado virá a fórceps e será por tentativa e erro, bancado por gente que acredita na disciplina. Outra coisa importante é que os projetos Transmedia (mesmo os grandes) tem se desenvolvido de forma paulatina. Raros são os casos onde tudo já nasce pronto com mil plataformas simultâneas no ar. O que eu espero de verdade é que muito em breve, possamos transformar essas experiências em retorno financeiro, porque será o único meio de Transmedia Storytelling deixar de ser um termo atraente para entrar na agenda dos grandes executivos.
Engraçado que o “WE CREATE WORLDS” profetizado por Gomez no primeiro dia do evento ganhou um significado totalmente novo quando a conferência terminou. “WE CREATE WORLDS” é fazer acontecer mesmo que não seja da forma ideal, é aprender e desenvolver através de experiências. Tá mais do que na hora de a gente por a mão na massa e começar a criar nossos próprios universos.