2011 foi definitivamente um ano diferente de todos os outros.
Foram muitos acontecimentos. Muitas histórias. Boas e ruins.
Vimos o poder das massas. Nos despedimos de ídolos e gênios.
Mas acima de tudo, 2011 mostrou o poder das conexões. De pessoas conectadas. De novas formas de organização. De histórias interligadas.
Que 2012 seja repleto de novas conexões, sonhos, conquistas e sucessos! Ah, que tenha um pouco de derrota e frustração também! Afinal, nem só de alegrias vivem as boas histórias. Feliz Natal e Feliz Ano Novo!
Já se perguntou como nascem os grandes ídolos? De certo não é do dia pra noite. Ou melhor, até acontece as vezes, mas a maioria destes cai no esquecimento em pouco tempo. Numa camada um pouco mais profunda, podemos dizer que nossos ídolos são aqueles que tem uma história de vida ou profissional que de alguma maneira nos influenciam.
Bom mais essa pequena introdução foi pra falar de uma iniciativa bem interessante da Nike com o atleta brasileiro Alejo Muniz. Alejo tem 21 anos e já faz parte da elite do surfe mundial. Uma trajetória profissional interessante num país que tem um litoral gigantesco mas poucos surfistas profissionais.
A Nike 6.0 lançou uma linha de roupas que contam um pouco da história do Alejo, desde a sua primeira prancha até as suas primeiras conquistas. Vocês podem ver melhor no vídeo então não vou ser chato de tentar explicar por aqui.
O importante dessa reflexão é como o storytelling pode ajudar a construir uma imagem de ídolo. É vendo a história dele como pessoa e profissional, que muitos jovens vão trazer um monte de associações que possivelmente farão com que eles acreditem mais ainda que podem ser profissionais no esporte que curtem.
Quando iniciei esse post com aquela reflexão, eu queria chegar num ponto que é o esporte. Muitos esportes se popularizam pela existência de grandes ídolos. O trabalho da Nike 6.0 é interessante no sentido de trazer a popularização do surfe como um esporte sério e organizado. E nada como uma boa história para estimular essa mudança e despertar interesse nos jovens que curtem surfar e fazem isso como hobby.
Talvez um pouco mais de história? Talvez uma profundidade maior nos momentos difíceis dando destaque para a superação? Poder ser que sim. Fica a sensação de que tinha muito mais pra ser explorado ali. Mesmo assim, continua sendo uma bela iniciativa.
Em poucos momentos de um ano as pessoas ficam tão sensibilizadas quanto no Natal. É perceptível a diferença na maneira como as pessoas agem e se relacionam com as outras durante esse “período”.
Diante desse cenário um pouco mais emocional que o normal, as marcas também entram no clima e exploram diferentes emoções e sentimentos em suas campanhas.
Entre as campanhas que vi neste final de ano, a da rede de supermercados Zaffari me chamou atenção. É um bom exemplo de como uma história – Storytelling – tem muito mais poder em criar associações com as mensagens que se deseja trabalhar.
São muitas as mensagens de diferentes meios que recebemos diariamente. No entanto poucas conseguem relevância dentro de um “filtro” que nós fazemos involuntariamente. Vejam o comercial e sintam como uma história consegue transmitir uma mesma mensagem de uma maneira muito mais marcante.
Mobilia, um dos maiores shoppings centers da Suécia, construiu um novo estacionamento com 400 vagas disponíveis e precisava divulgar para seus shoppers esse novo benefício.
Esse problema poderia ser resolvido com um simples outdoor na porta do Shopping, mas o pessoal da agência Halva Kungariket resolveu pontecializar a ação usando a criatividade das pessoas de imaginar histórias.
Em uma bela manhã, eles colocaram um carro em cima do outro no estacionamento do Shopping Mobilia, sem nenhum tipo de publicidade ou informativo.
Resultado: as pessoas começaram a comentar sobre o assunto e a imaginar a história por trás do estacionamento dos dois carros. Até jornalista publicaram matérias do mistério dos carros no estacionamento do Mobilia. Após a alta repercursão, o shopping lançou um anúncio com a foto dos carros e com a seguinte mensagem “ It’s easier to park in our new parking house”.
Uma campanha diferente, que na estrutura de narrativa alinear, explorou a imaginação e criatividade das pessoas ao imaginar como foi o começo história por trás dessa “cena” final. Consequentemente, gerando muita mídia espontânea e buzz nas redes sociais.
A maior companhia química do mundo, gigante em suas soluções e tamanho, é também um empreendimento sustentável até em seus processos de produção (ao contrário da imagem que se tem construída de empresas químicas): essa é a BASF. O problema que a empresa enfrentava era justamente lutar contra o preconceito da sociedade de que uma empresa química nunca poderia ser sustentável e, ainda por cima, mostrar para seus colaboradores o quão sustentável a empresa realmente é.
“Tão natural quanto respirar”, foi assim que os gestores descreveram a sustentabilidade na empresa. Ações como a Fundação Espaço Eco, são apenas um pedaço da sustentabilidade da empresa, uma vez que esta trabalha em criar soluções e produtos sustentáveis,tendo seu lucro baseado nessa lógica. Porém, por simplesmente serem sustentáveis e praticarem isso a muito tempo, os colaboradores tinham dificuldade em falar e apontar o que a empresa fazia e entendia por sustentabilidade. E era desafiador tornar algo imperceptível e inerente à cultura da empresa, em uma história tangível e próxima a realidade dos colaboradores.
Após um estudo de arquétipos e uma profunda investigação para entender o personagem “Sustentabilidade” dentro da empresa, e quais seriam suas ações, foi possível detectar que esta narrativa deveria mostrar o grande peso da sustentabilidade na BASF, uma vez que os processos sustentáveis eram realmente grandiosos e completamente interligados com a produtividade da empresa, sem jamais se desvencilhar do futuro do planeta, já que soluções químicas dependem diretamente dos frutos naturais da Terra.
Assim foi montada uma narrativa que comunicou essa história aos colaboradores no “I Fórum de Sustentabilidade Corporativo”, organizado para endereçar a sustentabilidade como motriz dos negócios na BASF. Foi o começo de uma nova etapa dentro da empresa, ou melhor, uma nova narrativa inaugurada com storytelling.