
Por Paulo Yanaguizawa
Hoje cedo um amigo comentou que o tema da redação aplicada pelo ENEM ontem foi alguma coisa sobre viver em rede e o que isso implica em nossas relações públicas e privadas. Também hoje, vi algumas coisas muito interessantes sobre identidade, trabalho colaborativo e uma nova maneira de pensar em comunidade. Por fim, todas essas coisas trouxeram outras muitas reflexões que resultaram nesse post:
Pense na sua marca favorita de refrigerante. Agora pense como ela está presente na sua vida. Vá um pouco mais a fundo e pense na sua relação com ela. O que ela contribui para a sociedade que você vive? Como ela se comunica com você?
As marcas cada vez mais têm uma relação muito íntima com cada um de nós. Vivemos sim em rede, em um mundo chamado “globalizado” onde a informação tem volume e velocidade nunca vistos antes. E olhando sob a ótica do storytelling, são histórias e mais histórias surgindo a cada segundo.
Alguns dizem que o sucesso de uma empresa de internet no futuro está no filtro destas milhões de informações. Outros dizem que a chave está em criar maneiras para que as pessoas expressem cada vez mais suas identidades de maneiras menos padronizadas. Mas algo que aparentemente se tem certeza é que cada vez mais os limites entre o público e o privado estão se rompendo. Principalmente quando pensamos nas marcas e empresas e no papel que elas cada vez mais, por pressão ou não, assumem na sociedade.
É como se as marcas fossem grandes personagens vivendo e interagindo em um complexo roteiro que nada mais é que nossa própria história em tempo real. Então, se olharmos de uma maneira superficial, a linguagem que utilizam nas redes sociais e os arquétipos que assumem nesse mesmos meios são uma grande oportunidade de falar diretamente com o público que se identifica com elas, certo?. Mas voltando à discussão de público e privado. O nosso acesso à informação está cada vez maior e, sendo assim, cada ato ou atitude importam na hora de engajar o consumidor.
Cada vez mais sabemos as condições de trabalho dos empregados de uma empresa. Ou de uma hora pra outra descobrimos que aquela marca ao qual nos identificamos tanto, foi favorecida numa captação de dinheiro do governo. Chegamos então no conceito de que um personagem, nesse caso grandes marcas, nada mais é do que as escolhas que ele faz.
Um assunto que vem ganhando força ultimamente, principalmente no momento de crise e incerteza econômica no qual vivemos, é o “trabalhar para a comunidade”. Seria algo como uma possível reinvenção do modelo capitalista, onde empresas e comunidades trabalhariam juntas não por caridade, mas pela própria subsistência de ambas. Tudo isso, visto rapidamente, parece ser loucura, utopia. Mas essa loucura está nesse post para reforçar que as reflexões estão ficando cada vez mais profundas. É como se estivéssemos escrevendo um grande roteiro e esse fosse o momento de definição do papel de cada personagem dentro da história.
Durante o TEDx ESPM há poucas semanas, Fred Gelli falou muito sobre essência. Sobre uma marca saber claramente sua essência e engajar seus stakeholders por meio disso. Pensando novamente no storytelling, é como um filme. Um personagem que não tenha sua essência muito bem definida, não consegue fazer escolhas consistentes e se sustentar ao longo da trama. Mais uma vez caímos nas escolhas. São as escolhas das empresas, cada vez mais visíveis e acessíveis, que vão dar consistência à relação com seus públicos de interesse. E isso vai muito além do que responder uma pergunta no twitter ou optar por anunciar ou não num programa de TV onde o apresentar tem um humor muito ácido. Têm a ver com ações direcionadas, consistentes e verdadeiras. Tem a ver com a essência, com a história.
Gosto de terminar meus posts sempre com algumas perguntas. Mas hoje, depois de tantos pensamentos e informações, proponho apenas uma reflexão. Sem certo ou errado. Sobre as histórias que você como profissional está ajudando a contar e sobre aquelas que estão te contando.
Para ajudar, seguem alguns links interessantes:
- Cria Global
- Invest in Communities to Advance Capitalism
- Victors & Spoils Guide to Successful Collaboration
- 4chan Founder: Facebook and Google Do Identity Wrong